Amei a Irlanda!
E para ser sincera minhas expectativas não eram altas. Fiquei com medo do tempo chuvoso que me deprime. Só que minha sobrinha estava fazendo seu mestrado na Trinity, eu estava morrendo de saudades dela. E ainda descobrimos que uma das passagens da turnê europeia do Metallica aconteceria Dublin, exatamente no meu mês predileto de viagens: junho. Pronto. Combinamos com minha irmã e meu cunhado e fomos pra lá.

Dublin é uma cidade incrivelmente viva. Talvez seja a melhor definição para ela. Urbana, não tem um grande monumento de referência, mas vibra e acolhe como nenhuma outra. E demos muita sorte com o clima. Dias fantásticos de céu azulzinho. Conclusão: amamos a cidade.
Vou tentar descrever mais poeticamente. Fechem os olhos e tentem imaginar…
Um lugar perto do mar, mas onde o mar não é referência. São as gaivotas tagarelando e seus voos rasantes que nos lembram o quanto as praias estão perto dali.
Visualizem torres góticas de catedrais perdidas no horizonte, muitas casas e prédios de tijolinhos vermelhos enfileiradas, cafés e lojas descoladas, um pub centenário em cada esquina.
Coloquem no meio dessa cidade um rio e pontes caminháveis, algumas charretes no meio dos carros, alguns parques. Completem com a impressionante universidade de Trinity e sua famosa biblioteca e um complexo gigantesco da sede da Guiness.
Neste cenário, se surpreendam uma cultura de aceitação da diversidade onde até as igrejas exibiam faixas de arco-íris na semana do orgulho Gay. Onde um dos heróis é uma mulher linda e sensual, que trabalhava incansavelmente com sua carroça de verduras e frutas.
Além das gaivotas, ouçam também as gargalhadas nos pubs e uma eventual gaita.
Vejam símbolos celtas em artesanato, joias e camisetas. Se intriguem com palavras de uma língua estranha, aqui e ali, descobrindo depois que é o gaélico, ainda preservado no país.
Mudem o número de folhas do trevo que concede sorte, são os trevos de 3 folhas que abençoam a pátria Irlanda: em nome do pai, filho e Espírito Santo.
Vejam e ouçam também harpas, um instrumento raro, angélico e transcendental.
Sintam o gosto de uma cerveja preta estranha que nunca entenderam, mas que passarão a entender e gostar. Pronto, isso é Dublin.





















Além de Dublin, ainda na Irlanda, visitamos Cork, com direito a um pulo em Cobh, passamos por Killarney e ficamos 3 noites em Dingle. Adoráveis lugares!
Cork é a segunda maior cidade da Irlanda. Chegamos de trem. É uma “mini Dublin”, mas com suas próprias referências. Lá visitamos um ex. presídio de mulheres e crianças, onde crimes como roubar um pão ou xingar alguém mereciam esse tipo de punição e uma reeducação. A experiência é bem estruturada e curiosa. O prédio é bem bonito. Fiquei me perguntando quando e porque começamos a ser tão tolerantes.
O campus da universidade de Cork também é muito agradável, aproveitamos um showzinho despretencioso que animava um dos gramados de lá. Tem uma catedral bonita, onde uma senhora até tocava harpa. Ela oferecia uma experimentação e até fotos com o lindo instrumento. Como em Dublin, um grande rio também cruza a cidade e há muitas pontes, pubs e parques. O Mercado Inglês é muito citado como icônico, mas esse achei meio sem gracinha. Já vimos inúmeros mais fantásticos.
O hotel no qual nos hospedamos, o Moxy, era muito legal. Bem localizado, tinha seu próprio pub que ficava aberto até tarde e jogos divertidos para dois.










Fomos a Cobh também de trem, um bate volta de meio dia. A cidade é bem bonitinha e foi a última parada do Titanic antes de naufragar. Em um museu te contam a história e remontam o destino dos moradores que embarcaram neste porto rumo ao sonho americano.
Tem um ponto para “a foto típica da cidade”: casinhas coloridas enfileirada em uma ladeira e a fantástica catedral ao fundo. O engraçado é que fica dentro do jardim de alguém gentil o suficiente para manter tudo arrumadinho, permitir o acesso aos turistas e só pedir trocados de quem puder ajudar com a manutenção. Coisa de gente civilizada…

Também fomos ver os jardins do convento, onde fomos convocados pelo jardineiro, um velhinho com ingles embolado e sem dentes, a ir tomar um chá da tarde com as freiras.







Para irmos para Dingle alugamos um carro e fomos parando no caminho. O parque de Killarney foi um dos lugares, onde vimos a Muckross House e seus jardins e o castelo de Ross.




Paramos na cidade para jantar e encontramos um dos restaurantes mais charmosos que já vi. Eram vários ambientes exclusivos e intimistas dentro de um mesmo restaurante. Cheio de detalhes… cartas, gavetas, porta retratos, quadros, mais de um balcão de pub. Muito legal.
O ponto alto desta incursão fora de Dublin foi Dingle. Uma cidade “praiana” onde as ovelhas são mais numerosas que os humanos, onde foi filmado o último episódio da saga de Star Wars e onde entramos em um restaurante completamente despretensioso (claro, sem reserva) e depois entendemos que para jantar ali era preciso reservar com 6 meses de antecedência.
A Slea Head Drive fica lá e é linda… vale um dia inteiro de passeio, parando em mirantes, praias, cafés e até um pub no meio do nada. No caminho há vários locais para uma experiência com as ovelhas, tipo segurar um carneirinho no colo, dar mamadeira e também conhecer um pouco da história dos antigos pastores e suas construções de pedra que abrigavam animais e pessoas.
Interessante que soubemos que as famílias de Dingle que ainda falam gaélico em casa e recebem crianças de todo país para uma imersão nas férias de verão. Esses jovens aproveitam a cidade e aprendem também essa língua antiga, que a nação não quer deixar morrer.
















Depois voltamos pra Dublin pro show e um pulo na Escócia, que fica pra outro post.