Tá! Me falam que tenho um gosto “cafoninha” para música. Mas quem viveu os anos 80 e nunca foi a um show do Oswaldo Montenegro? O cara era sedutor demais para aquela galera adolescente que tentava se entender. Fui a quase todos os espetáculos e eventualmente levo susto quando descubro que ainda sei de cor alguma letra inteira de uma música dele.

Mas agora, quando analiso o “conjunto da obra” (e não me leve a mal, meu ídolo!), tenho dificuldade de entender o sentido das melodias “como-um-todo”. Fico rindo sozinha e pensando como compreendia aquelas músicas. Mas, ao mesmo tempo, me lembro bem que eram as doidas frases soltas e as lindas expressões que naquela época tocavam o fundo na minha alma jovem e que me emocionam até hoje.
Eu era Bia “no centro de um planalto vazio”, tentando encontrar uma maneira de amar. E “Bate louco, bate criminosamente, o coração mais do que a mente”, era um alento para minha cabeça confusa e apaixonada. Ainda, eu era a filha de Peixes, que andava em um “oceano de quarenta correntezas sem nenhuma embarcação”, atordoada com os desafios da estudante de medicina.
E, de verdade, minha paixão por Oswaldo nunca foi esquecida, sendo até motivo de zoação dos meus amigos que os chamam de “Oswaldinho”. Hoje, pensando nas suas ideias, me deu vontade de juntar algumas e fazer um poeminha bobo, de rima facilzinha, misturando nossos temas. Um daqueles meus devaneios. Ficou assim:
Era uma vez uma AnaBia
Que não era par do Leo.
Mas que entendia,
que a maneira de amar varia.
E queria,
se pudesse, todo dia,
encontrar em alguma melodia,
um novo jeito de variar.
Sabia,
que, quando isso acontecia, a solução aparecia,
uma luz se acendia,
e dúvidas se transformavam em alegria.
“É a busca do eterno equilíbrio, num processo inteligente, sua mente clarear sem perceber”
Obrigada, Oswaldinho!