Da coleção de viagens – Sardenha sem filtro

A segunda parte das férias de 2024 foi na belíssima Sardenha. Voamos direto de Munique. Existem voos direto para a Sardenha de diversas capitais europeias, pois é destino de verão do povo de lá. Vimos muitos casais franceses, muitas famílias alemães, e parece que também está se tornando destino de desejo dos brasileiros, pois volta e meia vimos casais e grupos de jovens na ilha. Realmente, embora tenhamos praias maravilhosas no Brasil, aquele azul do mar nos fascina.

Fomos em final de maio começo de junho, e ainda estava um pouco frio, a água geladíssima. Talvez seja melhor no final de junho, pois em alta temporada dizem que fica muito cheio.

Sardenha do avião. Um mar azul assim nos fascina.

A ilha é enorme. Para percorrer as principais regiões da Sardenha planejem uma viagem de 20 dias ou até mais. Mas se você, como eu, não tiver esse tempo, como escolher seu roteiro?

Melhor não tentar escolher pelo mar. O mar é muito, muito bonito, em qualquer praia que você vá. Azul transparente, leitoso, múltiplos tons de azul e verde, uma verdadeira “intoxicação de deslumbres.”.

Então, para te ajudar, vou te contar um pouquinho sobre os lugares que estivemos, mas já adiantando as “best” programações que experimentamos e considerei imperdíveis: passear de barco pelo arquipélago de Maddalena, fazer praia em La Pelosa, visitar Castelsardo e o must: dirigir seu próprio gonome pelo maravilhoso golfo de Orisei.

Nosso roteiro:

Pousamos em Olbia (tem 3 aeroportos na ilha, os outros dois em Alghero e Cagliari). Os deslocamentos foram curtos, de cerca de 1 hora e pouco. O percurso mais longo foi na volta do norte para o sudeste, cruzando pelo interior da ilha, que fizemos em 2 horas e meia, sem paradas (nada diferente do tempo que levo muitas vezes do trabalho para casa no caos de trânsito do Rio de Janeiro).

Mapinha esquemático da Sardenha, by AnaBia .

Foram 4 bases de hospedagem: Porto Cervo, Maddalena, Castelsardo e Cala Gonome. Fiquei feliz com minhas escolhas de bases, com exceção da estada na ilhota de Maddalena. Se fosse de novo faria uma segunda base em Santa Teresa Gallura ou por perto. Correria para Madalena somente no dia de tempo aberto e sem vento, somente para fazer o passeio de barco pelo arquipélago, que é imperdível, de verdade o “must” da região da Costa da Esmeralda. Fizemos a opção de nos hospedar na pequena ilha e demos azar de pegar dois dias de muito vento. O problema é que lá há poucas praias protegidas, onde se poderia curtir o sol nestas condições climáticas adversas. Então passamos os dois dias olhando boquiabertos para um mar absurdamente lindo, dando poucos rápidos mergulhos. Isso nos deu um pouquinho de frustração.

Prainha deserta em Caprera e sem vento. Aqui deu até para mergulhar direito, sem congelar.

Porto Cervo (3 noites):

Não tem cara de Itália. Tem ares de Ibiza. Bem pequenininho. Demorei para entender que a micro cidade se resume a um conjunto de casas de veraneio, restaurantes e diversas lojas de grife disposta em um shopping aberto, por sinal bem bonito, principalmente a noite. Jantamos lá na beira do mar transparente e iluminado.

Restaurante Quattro Passi al Pescatore – Porto Cervo. Lindo visual e serviço impecável.

Tem praias muito bonitas como a do Príncipe, Pervero (Grand e Piccolo) e Capriccioli. Algumas ficam em bairros residenciais bacanas, com jardins lindos. Os estacionamentos, que são pequenos, estavam bem tranquilos no início de junho, assim como disponibilidade de cadeiras e barracas, embora a maioria das praias não tenha quase nenhuma estrutura (levem sempre sua toalha ou canga).

Em um dia ficamos por conta de visitar San Teodoro para ver a lindíssima Cala Brandischi e jantamos também por lá. As formações rochosas são os destaques das praias dessa região, especialmente a ilha de Tavolara, que é possível avistar de muitos lugares. Queria ter visto os Flamingos, mas nessa época não tem o passeio até perto deles. O lugarejo tem mais jeitinho de cidade do interior, mas a Itália como conhecemos, também não se expressa muito por ali não.

San Panteleo é um vilarejo muito fofo, perto de Porto Cervo, que merece ser visitado. Com vista das montanhas, super fotogênico, cheio de lojinhas de artistas locais.

Ilha Maddalena (3 noites)

Um conjunto de ilhotas na costa Esmeralda compõe um arquipélago de mar azul profundo chamado Maddalena. As duas principais ilhas são ligadas por uma ponte (Maddalena e Crapera). As outras são acessíveis somente em passeios de barco (o tal que precisa de condições climáticas boas e não pode faltar no seu roteiro).

O passeio de barco que fizemos foi com um grupo pequeno, indicado pelo nosso anfitrião. Foi em uma lancha confortável, com almoço e bebidas incluídos, bem gostoso. Achei perfeito.

Mar inimaginável… me belisca!

Dei uns mergulhos, mas ficar dentro da água de máscara, olhando os peixinhos, era só para os “fortes”. Cuidado com toalhas, chapéus e roupas, mesmo com o barco parado, pois rajadas de vento levam tudo para a água e distraído dentro do mar você nem vê (marido perdeu camisa e boné).

Arquipélago de Maddalena. Fantástico.

Castelsardo (2 noites)

Fizemos base ali, pois a cidadezinha medieval tinha me parecido lindinha e era também cheia de histórias. A visita ao castelo e a cidade murada é o tipo de programa que amo. Muita história.

A visão do nosso hotel ao entardecer.

A partir dessa base visitamos La Pelosa, que para mim merece ser outro destaque da ilha. Atende a fama. A construção medieval dá um charme especial, uma cara de Itália que faz falta em outras praias da região, além dos tons de azuis excepcionalmente exuberantes.

No dia que fomos a La Pelosa deu tempo de conhecer Alguero. Bem bacana, jantamos por lá, em um terraço avistando um pôr do sol lindíssimo.

Jantar com visão do pôr do sol em Alguero.

Cala Gonome (3 noites)

Uma delícia! E a experiência mais fantástica dessa viagem, na minha humilde opinião.

O golfo de Orisei, com seu litoral de cavernas e penhascos, é muito lindo e onde tivemos coragem de dirigir o nosso próprio barquinho. Amei!

Vale o passeio a Grotta del Blue Marino, antigo lar de leões marinhos. Você paga para ir até lá de barco, mas também o ingresso para o passeio com o guia. Compra os dois no portinho. Muito interessante e impressionante.

Os restaurantes foram os mais bacaninhas da viagem embora também tivessem o mesmo cardápio comum a toda Sardenha. Mas achei tudo mais saboroso.

A travessia pelo meio da Sardenha também foi interessante. Não vimos as típicas mulheres de preto (igual as vaquinhas nas Dolomitas, elas também estavam de folga 😉), mas vimos rebanhos de carneiros atravessando a estrada e lindos campos, incluindo vinhedos.

Interior da Sardenha.

E aí? Ajudei a resolver seu roteiro? Ainda tiveram coisas que gostaria de ter feito e não consegui encaixar: visitar Bonifácio em Córsega e também fazer uma outra base em Santa Teresa Gallura. Se você for depois me conta 😉❤️.

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