DUBROVNIK
Dormimos aqui 3 noites e tivemos dois dias inteiros para a cidade. A parte antiga é muito linda, as muradas, que são famosas, são mesmo muito conservadas e impressionantes.
Em Dubrovnik estão diversos cenários da série Game of Thrones. Os guias contam muito sobre as filmagens que pararam a cidade e há tours especializados no tema e muitas lojas também. Fizemos um walking tour misto (histórias da Croácia e dos cenários da série). Até fiquei curiosa sobre a série, pena que não tenho estômago para toda aquela violência explícita, pois o restante do roteiro parece ser muito bom.







Do lado de fora da murada, perto da porta Ploče, há um teleférico para se chegar no alto de uma montanha de onde a vista da cidade é linda (essa da foto acima) e onde descobrimos uma tirolesa de bicicleta e não resistimos. Foi bem divertido. A história da criação dessa tirolesa é muito boa, e eu conto ao final desse post, para não complicar a vida de quem quer mesmo saber só das atrações da viagem.

Uma das áreas mais bonitas de Dubrovnik é exatamente um dos cenários mais famosos do “Games”, a Blackwater Bay, onde você pode alugar caiaques e passear por todo entorno da murada (veja antes as condições do mar e do vento, como expliquei no post de Hvar A surpreendente Croácia. O plano B que deu muito certo. Parte 2: Hvar e Kórcula).

Tem outras construções também muito bonitas e no período da noite a iluminação de muitas delas torna o ambiente da cidade histórica ainda mais especial.



É bastante fácil entender o centro histórico, pois há duas compridas transversais, sendo que a maior é uma avenida chamada rua Stradum, e muitas perpendiculares estreitas. Dois grandes portões (portas Ploče e Pile) completam toda área de interesse. Algumas praças também são pontos de referência, especialmente a praça de Luza, perto da porta Ploče, com a coluna de Orlando, a igreja de São Brás (padroeiro da cidade) e o relógio, e do lado oposto, a praça onde está localizada a Grande Fontes de Onório (de onde saem os “walking tours”), mais perto da porta Pile.







Nessa última cidade do nosso roteiro na Croácia pegamos muito, muito calor. O passeio no alto das muradas, no sol a pino (embora conste como aberto até as 19h, a última entrada é às 16h), foi sendo adiado indefinidamente. Era difícil se contentar com qualquer programa que não tivesse a possibilidade de uma boa sombra ou de um bom mergulho no mar.
Neste clima de calorão, a nossa mais fantástica descoberta foi o acesso aos bares Buza (“buza”significa “buraco”), dica da minha irmãzinha. São literalmente dois buracos meio escondidos nas muralhas e que dão acesso aos Buza I e Buza II, bares pendurados nas encostas e de onde você pode descer até o mar para um mergulho.
O Buza I é o mais fácil de achar e o mais raíz. Suba as escadas Jesúítas ou “escadas da vergonha” (cena do “Shame” de Game of Trones), pegue a esquerda no topo e acompanhe o muro. Logo verá a sinal “cold drink with the most beautiful view” em uma plaquinha de madeira.
Achei a experiência uma delícia e ficamos bastante tempo por ali curtindo a vista maravilhosa e mergulhando no mar Adriático. Mas é preciso não ter expectativas altas sobre os serviços. A cervejinha estava quase gelada (o movimento é muito intenso, creio que não dão conta da reposição nesse alto verão), não há comida de verdade (só amendoins e batata frita de saco) e só aceitam pagamento em dinheiro, que é feito na hora que você recebe a bebida.




A felicidade em viagens está também nas coisas não tão perfeitas! Valendo uma cervejinha quase gelada, mas com um mergulho refrescante e uma vista maravilhosa.
Para o segundo dia inteiro livre em Dubrovnik, acabamos decidindo reservar um passeio de barco e nos arriscamos a escolher sem dicas, meio que por intuição, em um guichê no porto. Compramos um pelas ilhas Elaphiti, que incluía transfer para o porto, bebida e comida a bordo, inclusive cervejas e também vinhos na hora do almoço. O almoço seria servido na casa do capitão em uma das ilhas, com música ao vivo. Parecia maravilhoso e de verdade “muito demais” por somente 50 euros por pessoa. Mas pensamos que finalmente tínhamos encontrado a Croácia barata, que só tínhamos ouvido falar. No fim não foi bem assim.
– A parte boa: o passeio foi realmente por lugares lindos, vale muito a pena conhecer as ilhas e deu tudo certo com o transfer e o barco.
– A parte ruim: a bebida foi um fiasco completo. Vocês já viram cerveja de 2 litros em garrafa pet? Eu vi nesse passeio. Foi a pior cerveja que experimentei em toda a minha vida. Os refrigerante eram tubaínas croatas, super adocicadas, também horríveis. E os vinhos branco e tinto, produzidos pelo dono da casa e servidos no almoço, eram impossíveis de sequer engolir o primeiro gole – tive que disfarçar e engolir rapidamente com água para não cuspir. Mas quando estamos de bem com a vida, como estávamos, toda essa experiência vale boas gargalhadas. Nos restou água da casa e parada estratégica em um barzinho de uma das ilhas para uma loira gelada decente.
– A parte tolerável: arroz e frango de almoço. Deu pra não passar fome.
Mas na sua vez, se quiser visitar as ilhas Elaphiti, faça com uma agência recomendada. Quando não temos dicas de agências, uso bastante a Civitatis. Nunca tive problemas. São sempre passeios de muita qualidade. Já com a Get Your Ride, nem sempre tivemos sorte.








Bom humor em viagens é essencial para quando as coisas dão errado. Boas gargalhadas com as bebidas intragáveis do passeio…
Em relação a hospedagem ficamos no Apartments Franka Old Town. Super bem localizado, dono muito atencioso, deixou para nós muitos bombons e uma garrafinha de licor de cereja, que ele mesmo fabrica. Ele também faz transfer para o aeroporto por um preço mais barato que táxi ou Uber. O apartamento tinha tudo que precisávamos, muito arrumado, funcional e silencioso a noite. Decoração muito bonitinha (obs: Esse é meu mimimi de “viajante patricinha”. Me importo com o visual dos lugares que me hospedo).




Em relação às experiências gustativas, tivemos três boas, cada uma com seu charme. Primeiro jantar no Gusta Me, cujo o ponto alto era um garçom antigo e gente boa, que adorava uma conversa e já tinha estado no Brasil. Fez questão de nos servir com muita “pompa e circunstância” um peixe bem saboroso e uma sobremesa era dos deuses.
Na segunda noite fomos jantar em uma churrascaria croata raiz, a Konoba Dubrava, fora do centro histórico, que o dono da tirolesa nos recomendou. Tinha música típica e o povo cantava junto, com muita alegria. Esse ambiente foi o destaque. Os frutos do mar da entrada também estavam divinos.
Na última noite abusamos e reservamos um restaurante com estrela Michelin, o 360. Vista maravilhosa e comida idem. Cardápio super interessante. São somente duas opções de menu com pequenas possibilidades de variações. No entanto, o melhor da experiência não estava no cardápio, mas nas surpresas antes de cada etapa, feitas mesmo para surpreender e para limpar o paladar para a próxima fase. Vinho branco GRK, Lemocello ao final e fechamos a Croácia com chaves de ouro.




Vamos para a história da tirolesa.
Era uma vez um cara que morava em um país onde a bicicleta era o principal meio de transporte. Ele se mudou para Dubrovnik com a família, para trabalhar com turismo e tirolesas, e onde há inúmeras ladeiras e é quase impossível pedalar. Embora ele tivesse saído do país da bicicleta, a bicicleta continuava no seu coração. Então ele pensou: por que não criar uma tirolesa de bicicleta?



Experiência única no alto de Dubrovnik. O próprio criador da aventura cuida dos clientes e ajusta os equipamentos de segurança.
Ao pesquisar sobre o assunto nas redes, este rapaz descobriu que dois outros caras já tinham levado essa ideia a sério e tinham tirolesas como a que ele imaginou. Conseguiu contato com um dos caras, que tinha criado a experiência no Peru, mas o sujeito lhe disse com muita tranquilidade que não lhe daria nenhuma ajuda ou dica de como fazer, pois entendia que. mesmo a Croácia sendo longe “pra burro”, ele estava lidando com um concorrente.
Aí que vem a parte cômica. Não conformado, nosso amigo croata deixou passar um tempo e telefonou de novo para o sujeito peruano, com o seguinte discurso: Olá, moro no EUA e gostaria de visitar o Peru e experimentar sua tirolesa de bicicletas. Fiquei muito animado, sou fanático por bikes. Acontece que quero fazer uma surpresa para meu namorado, um cara de quase 2 metros de altura. Qual é o limite de altura dessa aventura? O peruano responde: Ahhh não se preocupe, entre os fios são “tantos” metros. Nosso amigo croata engata, já anotando a distância entre os fios: Ahhh e ele tem 130 kg, qual o limite de peso? O peruano se espanta e diz: Que cara grande… Nosso amigo fala: É que gosto de caras grandes… (quando estava contando essa parte ele dá gargalhadas, e informa que é totalmente heterosexual). O peruano responde: Mas dá sim, aguenta até “tantos” kilos. O croata seguiu o interrogatório, pegando vários dados e anotando tudo, até o sujeito peruano desconfiar e bater o telefone na cara dele. Rimos muito da ousadia e da criatividade no “furto” de informações, preferiu inventar um roteiro muito doído para conseguir tudo que precisava para começar a rascunhar o sonho.
Com esses dados em mãos ele montou o primeiro protótipo e depois contratou uma engenheira para fazer os cálculos e testes pilotos. A família e os amigos foram os cobaias, ele conta que testaram muito “internamente”, até “abrir para o público”. E pronto… deu tudo certo, agora está se preparando para abrir o segundo point de tirolesa de bicicleta na cidade.
Linda viagem comadre, mas a parte da bicicleta me apavorou!
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