A viagem de férias desse ano era para a França (de novo), e as passagens já estavam compradas há 6 meses. De trem, iríamos de Paris para Dijon, depois seguíramos de carro pela região da Borgonha, que não conhecia, passando por pedacinhos interessantes da Suíça, seguindo para Anency (que também estava na minha lista de desejos franceses) e depois descendo para o sul, para rever Nice, que amamos.

Mas um e-mail trocado com uma brasileira, moradora de Beaune (capital dos vinhos da Borgonha), me fez desistir totalmente. Ela me contou que a maior parte das vinícolas fecham em agosto, assim como os melhores restaurantes – quase todos saem de férias (interessante como os europeus levam esse descanso anual de verão muito a sério). Relatou um calor absurdo nessa época na região e um total despreparo para esse clima extremo, inclusive dos hotéis. Me aconselhou a adiar o roteiro para outro mês do ano e obedeci. Fica para um ano que possa tirar as férias em maio ou em junho.
O plano B, já com passagens da AirFrance compradas, foi conhecer a Croácia, pois já estava muito curiosa sobre esse destino e identifiquei que era bem fácil se deslocar de avião da França para lá. Então montamos um novo roteiro com 2 noites em Paris na ida, 15 noites na Croácia no meio e 5 noites no final em Côte D’Azur (Saint Tropez e Nice na volta). Fomos de Paris direto para Split pela Transavia (nunca tinha ouvido falar, mas deu tudo super certo). Um voo curto de 2 horas, saindo de Orly. Voltamos para Nice partindo de Dubrovnik pela KLM com conexão em Amsterdam, total de 4 horas.
As fotos e as histórias sobre o final de semana em Paris foram incluídas em um post mais amplo, sobre minha capital predileta (Da coleção de viagens – Paris, sempre. Um despretensioso pequeno guia para iniciantes na França). Sobre Cote D’Azur vou ficar ainda devendo, mas depois colo o link também aqui.

Hvar. Croácia. Verão 2023.
A Croácia é um país surpreendente, cheio de histórias e lindas construções, limpo e organizado, seguro, em resumo: uma surpresa positiva em quase todos os sentidos. Por que “quase”? Ao contrário do propagado, achamos que é um destino caro em comparação aos outros destinos de verão europeu. Vale? Vale sim! Muito. Só esteja melhor preparado para preços mais salgados, semelhantes aos preços do Sul da França e da Costa Amalfitana, por exemplo. Demoramos um pouco mais que o esperado para parar de fazer as contas cada vez que pedíamos uma taça vinho. Uma observação positiva em relação aos preços para os que bebem como nós: a cerveja não é mais cara.

A Croácia tem o formato de duas asas de um pássaro. Uma asa invade o interior e a outra se prolonga pelo litoral do mar Adriático. Foi essa “asa” que visitamos. Não fomos à capital Zagreb, pois não conseguiu me encantar pelas pesquisas que fiz.
A língua croata é bem difícil, só conseguimos aprender ulica (rua) e restaurante (konoba), mas todo mundo fala bem o inglês. Para tentar entender melhor o país é importante saber que tiveram uma história bem complexa. Romanos, bizantinos, húngaros, venezianos e austríacos já estiveram no comando da nação, e a região foi parte da Iugoslávia em dois diferentes períodos. Também houve boas brigas com vizinhos, especialmente a Sérvia, e somente em 1995 as coisas se acalmaram no país, que já era independente.

A complexidade da história fica bastante evidente na diversidade do povo, da arquitetura, da culinária e eu tive a impressão que se expressa até no comportamento das pessoas. Não achamos os croatas especialmente simpáticos, mas bastante profissionais e polidos. Parece que há bastante orgulho da nação que precisaram muitas vezes defender e há alegria, mas tem algo de contido nesse povo. Como se tivessem sempre que pensar muito antes de falar ou agir. Na minha fantasia um comportamento adaptado para a conviver com algum grau constante de opressão. Mas é somente uma leitura de quem esteve por 15 dias passeando no país. Não levem tão a sério.


SPLIT
Split foi nosso primeiro destino, e gostei muito mais do que suspeitava. Muitos se referem a cidade como somente um porto para saídas de barcos ou um dormitório para visitar as cidades próximas, mas gostei demais do que vi e não acho que possa faltar em um roteiro pelo país.
O centro histórico é lindo, com o Palácio Dioclesiano dominando todas as outras construções. Ele não é bem uma parte a ser visitada, faz na verdade parte de todo contexto.
Dioclesio foi um imperador romano muito atuante e que fez desse palácio sua pousada para uma aposentaria pacífica, rara para a época, e morreu no local de morte natural. Contam que tinha muito medo da morte e procurou fazer no palácio uma distribuição igualitária de homenagens, tantos para os símbolos cristãos quanto para os símbolos pagãos, de modo a garantir uma passagem tranquila para o além. Ali conviveram esculturas de santos e anjos, triquetos, cruzes e pentagramas, tudo para satisfazer todos os deuses possíveis, de modo que o tal Dioclesio de certa forma “comprasse” seu descanso eterno merecido.






A maior parte das construções são de pedra, incluíndo o chão que parece sempre encerado (cuidado, escorreguei algumas vezes), tudo protegido como patrimônio cultural da UNESCO. Muitos moradores antigos ainda residem em partes dessas estruturas adaptadas, assim como restaurantes, hotéis e lojas se instalaram ali. Mas é evidente um cuidado com a preservação, que contaram que nem sempre é fácil para os menos abastados, mas que muitas vezes há um apoio governamental para a manutenção. Aprendemos essas coisas no free walking tour (reservamos antes), que aconselho. Durante o tour vimos uma apresentação de cântico croata linda que acontece diariamente no vestíbulo do palácio. Procure saber os horários.

Vale a pena visitar as subestruturas do palácio, o pequeno museu e a catedral (tem um ingresso conjunto). Para quem gostou de Game of the Thrones, tem inclusive espaços nos quais foram filmadas algumas cenas com os dragões da série.
Além do palácio, neste centro histórico tem uma praça veneziana muito bonita e um calçadão super agradável, de frente para o mar com muitas palmeiras e barcos estacionados e onde o pôr do sol é espetacular.




Ao redor do centro histórico há também muitas outras ruelas com dezenas de opções de restaurantes, bares e casas noturnas. O sorvete de Split é famoso e o da Geletaria Emiliana é o mais famoso dentre eles, só que tem uma fila quilométrica dia e noite, a qual não tivemos disposição de enfrentar. Nós provamos o do Luka, que tinha uma fila suportável, e realmente era ótimo.






Croácia. Agosto 2023.
Destaque de restaurante para o Kinoteca, uma antiga videolocadora (a conta vem dentro de uma caixa de VHS antiga) transformada em konoba. Comida boa e ambiente muito bonitinho, reservamos e demos sorte de conseguir uma mesa que ficava dentro de uma pequena capelinha, super romântica.
Ficamos 3 noites em Split, o dia que chegamos (já de tardinha), um dia inteiro para ver a cidade em si e no outro decidimos fazer um passeio de saveiro (dia inteiro, tudo incluído, reservado pela Civitatis), que era muito bem organizado com roteiro pelas ilhas de Brac e Solta. Bons mergulhos, água linda, onde pude curtir um rolezinho de SUP, que amo (adoro a sensação de me sentir flutuando acima da água).






Croácia. Agosto 2023.
De lá seguimos de carro alugado para Zadar, parando em Trogir no caminho só para uma olhada. Menorzinha, é bem parecida com Split na essência, mas tem uma fortaleza beira-mar bem bacana.

ZADAR
Ficamos em Zadar em um apartamento com uma vista bonita para a ponte. A cidade é bacana, de novo muitas construções de pedra e mar verde azulado lindo.





No calçadão na beira do mar (que possui diversas escadas de aço para acesso à água, como aquelas das nossas piscinas), as pessoas esticam suas toalhas para curtir o sol e dar bons mergulhos, de bem com a vida.
Acho muito curiosa a forma de lidar com o mar dos países que não contam muito com praias de areia, como contamos no Brasil. Gosto de ver e conviver com essas coisas diferentes em outros países, e em geral me encantam ao invés de me decepcionar. Como as praias de pedrinhas, por alguns brasileiros citadas “como aquilo que chamam de praia”, mas que eu curto. Olhando o lado cheio do copo: não suja os pés, o ir e vir das ondas faz um barulinho gostoso, a água reflete melhor o céu e costuma ser mais azul. Carpei Diem!

No primeiro dia demos um passeio geral e uns mergulhos. De noite, após jantarmos em um italiano (Eat Me) bem bom e que tinha seu rótulo de vinho próprio (um dos poucos tintos croatas que gostei), seguimos para as atrações principais da cidade – o Órgão do Mar (produção de sons pelas ondas do mar que penetram embaixo da calçada) e o Monumento de Saudação ao Sol (painéis solares que piscam luzes coloridas após o anoitecer).



Os dois ficam muito próximos, o primeiro emociona bastante, mas foi preciso se afastar um pouco da multidão para tentar ouvir melhor (o pessoal tagalera alto sem parar…aff…”Carpei Diem” não funcionou aqui). O segundo acho que depende do clima que você se encontra. Eu estava muito feliz e meio de “pilequinho” por conta do vinho e até deitei no chão para uma foto.

No segundo dia fomos para Pandora, quero dizer, para os Lagos Plitvice, mas tenho certeza que se foi ali que se inspiraram para criar Pandora, o cenário do filme Avatar. Informação importante: compramos o ingresso na hora e não pudemos entrar de manhã, pois o número de visitantes é limitado e já tinha sido alcançado. Precisamos esperar até as 13h. Se puder, é melhor comprar online antes. Ficamos então sem ter o que fazer das 10 às 13h, e fomos visitar uma caverna por perto (Barac Cave), indicada pela atendente do Plitvice. Nos surpreendemos ao saber que a Croácia tem muitos sítios arqueológicos e que inúmeros animais selvagens, como os leões, já viveram ali. Era um lugar muito organizado e deu pra distrair.


Plitvice é lindo, lindo, lindo. Tem gente que reclama não poder mergulhar nos lagos, mas é impossível não se encantar com aquela natureza, mesmo que seja somente para olhar.

É uma pintura, uma tela de deus gigante. Ficamos maravilhados e tiramos dezenas de fotos.






Tem várias rotas possíveis, entramos pelo portão 2 e fizemos a rota H em 4 horas bem contemplativas (teoricamente leva 4-6 horas), e me pareceu bem completa. Não tem erro, há sinalização bem intuitiva e mapas espalhados, parte do trajeto é de ônibus (na ida e na volta) e parte de barco (no meio).

O dia seguinte foi de retorno para Split cedinho, pois tínhamos que devolver o carro e pegar o ferry já reservado (Jadrolinija) para seguir rumo à Hvar (se fala “Ruar”).
Adorei
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Como sempre a narrativa das suas viagens é sempre incrível, bem descrita e divertida fazendo a gente querer visitar os lugares na próxima viagem!!! Amei Ana! Bjs
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