Da coleção de viagens – Grécia. Uau!

Vamos lá… de novo vou tentar escrever enquanto viajamos. No momento estamos em Santorini. Tomando café da manhã com este visual aqui…Uau!

Vista da mesa do restaurante do SAN Antonio hotel. Imerovigli. Santorini.

Por enquanto o resumo de tudo é também: UAU!! (letras maiúsculas mesmo e com 2 pontos de exclamação). Os visuais são espetaculares. Passamos 4 noites em Creta, mais especificamente em Chania (se fala “Rania”, aliás na Grécia tudo se fala diferente do que se escreve). De barco viemos para Santorini. Como já tinha me explicado uma amiga, este país passará a fazer parte, junto com a França e Itália, de destinos onde tenho certeza que vou ser feliz.

Grécia. Destino com garantia de ser feliz.

Fiz o roteiro baseado nos locais mais lindos que encontrei em minhas pesquisas e excluí Athenas, o que pode parecer estranho. Mas é que já concluímos que não gostamos de ruínas e assim a principal atração de Athenas não nos agradaria. Nosso sonho de Grécia era mesmo água azul e casinhas brancas.

Meu sonho de Grécia era azul da cor do mar…

Voamos de Paris para Chania. Em muitos dias da semana há voos direto e com vários horários (sem parar em Athenas), assim como há voos internos diretos entre as ilhas da Grécia. Vale primeiro olhar as operadoras da Grécia e suas opções antes de pensar quantos dias em cada lugar. Vão perder um tempinho para organizar tempos e movimentos. Mas, se parecer que estão com tempo demais em algum lugar, relaxem… Tudo é tão lindo que pode ser repetido, sem receio de ser monótono. Por enquanto, na minha revisão de roteiro, ficaria mais dois dias em Chania, e talvez um a mais em Santorini, só curtindo o hotel, sem hora pra nada… (se continuar assim vou concluir que precisaria de um mês inteiro de férias na Grécia 😉…).

Santorini. Oia.

A ida para Heraklion, cidade de Creta onde se pega o barco para Santorini, é uma das melhorias que eu faria no meu roteiro. Iria na véspera, mais cedo, e passaria meio dia por lá. Quase todas as informações que li sobre a cidade não me animaram. Então chegamos meia-noite, só pra dormir e pegar o barco cedo no dia seguinte. Foi cansativo e a pequena visão que tive, pelo menos do porto, foi positiva. E pior, fiquei super curiosa com um panfleto do hotel sobre a lenda do Minotauro e me arrependi de não ter ido em Knossos, ruínas do castelo e labirinto onde supostamente o “meio bicho meio homem” viveu. Não gosto de ruínas, mas adoro histórias, símbolos e portanto a mitologia grega. Fica a dica pra vocês e um motivo para eu voltar…

Vale a pena um dia de “leseira” em seu hotel em Santorini. Ainda mais se puder se dar de presente um que tenha “aquela vista”!

Cuidados: precisamos trocar o voucher do barco 45 minutos antes do embarque, no guichê da Sea Jets (o Google Maps tem a localização). Compramos pela internet no site http://www.ferries.gr e lá não encontrei opção de e-ticket, mas na fila para o barco havia gente com esta opção.

É notório que a Grécia é um país que valoriza de verdade o turista. Os gregos são extremamente educados e simpáticos. Por enquanto somente o motorista do ônibus para Heraklion rosnou para nós e nossa desorientação habitual. Mas mesmo assim deu pra ver que estava preocupado de chegarmos corretamente em nosso destino final e foi soltando seus grunhidos e explicando cada movimento que precisávamos fazer durante a viagem.

Chania (4 noites)

Nos hospedamos no Verner Luxury. Super bem localizado (na praça da igreja do centro histórico), limpo, bonitinho, mas era um micro quarto, menor do que os comuns em Paris. Reservamos o de menor preço, talvez seja bom um upgrade se ficarem mais tempo na cidade.

A cidade histórica, restrita aos carros, é uma graça. Passaria ainda mais tempo passeando nas ruelas e mesmo nas praias em seu entorno. Tem um Farol e uma Mesquita muito fotogênicos na chamada calçada veneziana. Os restaurantes tem uma vista linda e os três que experimentamos eram ótimos.

Farol da cidade histórica em Chania, no por do sol.

E os arredores:

D1 fomos ao lago de Kournas andar de pedalinhos e mergulhar. Depois na famosa praia do cenário de “Zorba, o grego” e em seguida até Seitan Limania.

Zorba/Stravos.
Seitan Limania. Visual lindo. Água turquesa e bem gelada quando fomos, em um final de tarde.

Aparentemente (até o final da viagem darei meu veredito) os gregos gostam de muito conforto e pouca aventura e não ligam muito para as paisagens (ou não se dão mais conta dos espetáculos da natureza do seu país). Algumas maravilhas visuais, como Seitan Limania, são até desaconselhadas. Ir ao lago e andar de pedalinhos, por exemplo, foi o mais entusiasmado conselho local. Mesmo sendo lindo, especialmente quando visto de cima, achei que não se compara com a beleza das praias. Mas realmente sobra conforto.

Lago de Kournas

As cidades e estradas em geral tem muitas espirradeiras e agora em junho estavam todas floridas. Lindo de ver.

Estradas de Creta no final da primavera.
Rios de Espirradeiras. Creta, junho 2022.

No D2 passamos o dia em Elefonisi e no D3 em Balos. Queria ter ido em Falassarna, estava programado para o D3, mas acordamos tarde demais e fizemos uma confusão enorme com o carro alugado e perdemos 3 horas de programação. Mas sobre isso e uma outra peripécia de viagem com o carro alugado, cada uma com um Spyro (episódios Spyro 1 e 2), assim como sobre as lições práticas e filosóficas, conto no final do post, para não enrolar quem quer mesmo saber só da viagem.

Panorâmica de Balos. O mais fantástico visual da viagem.

Elefonisi é distante, mas realmente imperdível. Muito linda, com uma boa estrutura e diverte o dia todo. Fui por conta da areia rosa e descobri que Balos tem a mesma areia…

Areia rosa. Comum em Elefonisi, mas também em Balos.

Mas não só de areia rosa vive Elefonisi… Maravilhosa de se ver e também para relaxar na lagoinha salgada e transparente que se forma no local. Não deixe de passear por todo espaço, incluindo o lado com mar mais aberto. Mixes de azuis de todos os tons.

Interessante que nos locais mais isolados de muitas praias na Grécia o pessoal adepto ao nudismo se libera. Não só topless, mas “tudoless”, homens e mulheres, mesmo não sendo praias especificamente para isso. Portanto não se espantem. Elefonisi era assim. São culturas muito diferentes da nossa e praticar nudismo é muito natural e prazeroso para muitos. Lições de aceitação e respeito a individualidade, além de reflexões sobre padrões e pudores das sociedades. Não tenho fotos, claro 🤪…

Balos foi minha favorita na Grécia. Extraordinariamente bonita, merece ser considerada por muitos (inclusive por mim) a mais bela praia do mundo. A mistura de cores, temperaturas e movimentos do mar, são incríveis. A descida, e a subida de volta principalmente, são realmente um desafio. Você chega a praia de carro, no alto de um desfiladeiro. Se proponham a subir e descer na volta parando cada vez que cansarem. Lembrem-se que estão de férias, tirem mais de um milhão de fotos iguais para registrar o encantamento e sigam em frente quando já estiverem plenos de novo. Levem água. Usem tênis ou sapatilhas. Devagar e em frente. Vale cada degrau. Não acho que ir de barco faça o mesmo efeito. A visão do alto é a mais fantástica. Mas é bom saber que mesmo o seguro total do carro não cobre acidentes em off-roads (escrito no contrato em letras pequenas) e sentimos isso na pele no episódio Spyro 2.

Parando para fotos na descida para Balos.

Também aconselho que experimentem cada cantinho de Balos. Relaxem com uma cervejinha sentados dentro da lagoa na frente do único bar do local. Entrem nas lagoas maiores. Vão para os lados do mar mais aberto. Se forem mais adeptos ao conforto sentem-se em um par de cadeiras com guarda-sol (por 15 euros, o conjunto, pelo dia todo). Nesta altura eu já estava começando a entender os gregos…adorei o confortinho e amamos cada momento deste cenário dos sonhos 😎.

Santorini (2 noites)

Chegamos em Santorini cedo e já tínhamos tratado o transfer para o hotel. Foi possível fazer um “early check-in” e nos arrumamos para nosso passeio de barco pelas caldeiras, com pôr do sol e jantar. Reservei pelo Civitatis, que já tinha usado em outras situações e nunca tive problemas. Nos buscaram no hotel. Foi bem legal! Nos levaram em bons locais para um mergulho, inclusive em uma ilha de lava (que apesar de água transparente em volta, tem cheiro metálico e mancha a roupa de banho de marrom), e explicaram tudo sobre os vulcões (Santorini é o que restou da borda de um deles, já inativo. Na ocasião da erupção o restante do solo colapsou e afundou no mar). Além disso os nossos 5 companheiros de passeio eram muito interessantes.

O passeio de barco pela caldeira que saiu do pequeno e charmoso porto de Oia.

Sobre eles. Eram um casal de americanos aposentados em férias prolongadas após 15 anos sem férias (como fazemos isso com nós mesmos?!), uma Argelina que vive na França e estava viajando sozinha e uma mãe e sua filha adolescente, também americanas. O casal americano veio vestido de calças e camisas de mangas compridas. Não sabiam que havia mergulho, mas deram seu jeito de se divertir. O senhor pilotou o barco em alguns momentos, sob a super visão do capitão e com aquele sorrisão. Sua esposa mergulhou de calcinha e sutiã, aplaudida por todos. Fantásticos. A moça que estava sozinha nos contou sobre os desafios da vida na Argélia (que mundo é este no qual as mulheres não tem praticamente voz, que mal conhecemos?). E a filha da senhora americana (que parecia super tímida, como a mãe), se acabou de dançar junto com outros jovens quando “plugamos” em um outro barco que mais parecia uma boate flutuante.

A comida servida no passeio, foi preparada a bordo pelo capitão. Era típica, simples, mas muito saborosa e farta. O sol deu um show ao final, com direito a música de Frank Sinatra ao fundo. Tinha cervejinha e vinho branco (tipo da casa…preciso esclarecer aqui que meu marido elucida que só eu para beber aquele vinho. Mas gente, pra mim vinho sempre está a frente de cerveja…e sou boa de copo…teria que ser mesmo muito ruim para eu rejeitar). Chegamos de volta ao hotel por volta das 22 horas. O vinho não me deu dor de cabeça no dia seguinte e foi um ótimo programa para festejar nosso casamento, pois neste dia estávamos completando 31 anos nos aturando 🙂

No dia seguinte alugamos um quadriciclo para conhecer Thira (se fala Firra) e Oia (se fala Ia), desafiando toda nossa usual sensatez. Marido amou. Eu suei as mãos e taquicardizei em todos os trajetos. Se existe outra encarnação, com certeza já morri caindo de um precipício. E as estradas são todas na beira de lindos precipícios… Pelo menos seria um fim romântico. Mas deu tudo muito certo.

Insensatez e adrenalina alugando um quadriciclo em Santorini. Mas foi muito legal!

As duas localidades são muito lindas. E demos sorte, ou junho é mesmo assim, as cidades estava cheias, mas não lotadas. Oia é um UAU em cada esquina. Reservamos jantar no Castro às 19 horas (reservas por e-mail) para terminar ao pôr do sol que acontece em torno das 21 horas. Recomendo. Restaurante bom, vista esplêndida: além da visão da caldeira em chamas, também tinha flores ao fundo.

Vista do restaurante Castro. Oia.

Nesta hora todo mundo que está em Santorini quer um lugar maravilhoso para ver o espetáculo. Interessante o jeito gentil do garçom para conseguir expulsar os intrusos da frente do restaurante. Explicava que aquele local não era permitido e se oferecia para tirar uma foto rápida dos invasores. Todos saiam bem rápido e satisfeitos.

No dia seguinte aproveitamos um pouco o hotel, mas fiquei com muito gostinho de “quero mais”. O San Antonio foi uma ótima recomendação da Fabi, do site Louco por Viagens. Serviço impecável. Café da manhã incrível. E que vista da piscina e do restaurante!

Final de noite no porto de Oia para o último drink em Santorini.

Às 15h seguimos de ferry para Milos, viagem super tranquila também, como a de Creta para Santorini (comento isso porque em alguns sites e blogs encontrei queixas de náuseas, etc pelo balançar do barco. Talvez tenhamos dado sorte. E também, pelo sim pelo não, tomamos um remedinho meio natureba que comprei em uma loja no porto). Meu único comentário negativo sobre os ferries é falta de pontualidade. Este, para Milos, atrasou 1 hora para sair, mas eu já sabia que isso não era incomum.

Milos (3 noites)

Chegamos em Milos ao final da tarde. Fomos pegar o carro alugado no aeroporto de táxi. Aqui lembrei de fazer um comentário: alugamos carro pelo site RentaCar em Milos e na Kefalonia, como sempre fazemos. Em Creta me enrolei e acabei pedindo um carro alugado no hotel, para o dia seguinte que chegamos. Foi perfeito e muito mais barato. O quadriciclo também fizemos o mesmo. Entregaram no hotel e buscaram lá. Achei bem melhor. Penso que estes prestadores de serviço talvez tenham mais compromisso de cuidar do cliente referenciado pelo hotel. Foi uma nova e boa experiência.

Jantar em Milos, sempre em Polônia.

Do aeroporto passamos na loja onde tínhamos já reservado um passeio de barco de dia todo, circulando toda a ilha (tem um milhão de agências na região que fazem isso, nem precisava ter reservado). A dona comentou que estava ventando um pouco mais o que o esperado e que o passeio precisaria ser reduzido, retirando do roteiro a ilha de Polyegos. Mas não nos esclareceu que as primeiras duas horas do passeio seriam provavelmente de pura emoção. Entramos em uma verdadeira “montanha russa aquática”. Foi traumatizante e nauseante. O enjoo foi parcialmente amenizado com um chiclete que deixava a língua dormente que o capitão nos forneceu. Mas, se estiver ventando e com ressaca, por favor limitem seu passeio para meio dia, visitando somente a parte sul da ilha, onde fica Kleftiko, que é realmente linda e inesquecível.

Quando chegamos em Kleftiko o passeio fez todo o sentido.

Kleftiko. Milos de barco.

Que lugar belíssimo. Parece a Puglia, mas com mais detalhes. Como se pegassem cada local bacana de mergulhar na Puglia e colocassem todos no mesmo lugar, com uma água ainda mais azul. Ficamos ali bastante tempo, mergulhamos, demos uma volta de bote, tomamos cervejinha. Todos recuperados, seguimos viagem pelas praias do sul, já com menos vento e ondas. Foi servido um almoço e fizemos outras paradas para mergulhar, incluindo Tisigrado, difícil de acessar por terra.

No dia seguinte conhecemos de carro o restante da ilha e muitos lugares que passamos de barco. Adorei especialmente as vilas dos pescadores, Mandrakia e Klima. Queria muito ver os polvos secando ao varal e as casinhas coloridas.

Mandrakia

Muitas das antigas casas de pescadores são alugáveis para temporada pelo Airbnb. Não são só “pé na praia”, fIcam literalmente “pé na água”. Deve ser uma fantástica experiência. Uma das cenas mais bacanas que vi foi a de um hóspede abrindo a porta da sacada de uma destas casinhas, provavelmente acordando pela primeira vez naquele visual ou voltando a confirmar que estava ali, pois estava com um sorriso largo e abobado, que durou todo o tempo que fiquei olhando para ele.

Klima.

Uma destas casinhas em Klima era a loja de um artesão e sua esposa. Foi onde vimos as mais belas joias de prata da viagem, feitas por ela. Ele, por sua vez, fazia uma cerâmica também muito charmosa. Aproveitamos para comprar as lembrancinhas das nossas meninas (sobrinhas e noras) e uma cerâmica para nossa casa (que é um verdadeiro museu de por onde nós viajamos).

Também visitamos Sarakintos ao norte, mesmo estando ventando muito e com aquela ressaca. O lugar é realmente muito bonito. Faz jus a fama. Formações rochosas incríveis. Tiramos lindas fotos.

O resto do dia passamos “fazendo praia” em Firiplakas, que é bem estruturada, tem mar lindo, formações rochosas bacanas também. Neste ponto já estava viciada no “kit” espreguiçadeira na beira do mar e guarda-sol e foi o mais caro da viagem: 25 euros pelo dia. Este foi um dos dias mais gostosos da viagem.

Firiplakas

Em Milos, ficamos no Pagonas Suite, muito ajeitadinho, em Pollonia. Super dica ficar nesta região. Tem os melhores restaurantes que comemos na Grécia, assim como os vinhos que bebemos (pode precisar reservar nos restaurantes mais famosos ou se quiser um lugar na areia da praia ou na beirinha). O lugarejo é muito fotogênico também. Passeando de dia, vi também outros locais bacaninhas para se hospedar.

Observações…

Na Grécia não vimos uma noiva ou casamento como acontecia sempre em nossas viagens. Fotografo todos e guardo estas fotos com especial carinho. Mas presenciamos um pedido de casamento em Milos ☺️. Mesinha na areia, beira do mar, luz de velas, ele ajoelhado, ela emocionada e todo mundo aplaudindo….

Boa notícia. O tempo dedicado para Milos no roteiro foi perfeito. Só sugiro que pensem em limitar o passeio de barco. Talvez mesmo com mar mansinho seja preferível conhecer o norte de carro. Outro comentário: a ilha é pequena e é possível conhecer tranquilamente de quadriciclos ou lambreta, para quem quiser se aventurar.

Outra boa notícia. Os preços em geral na Grécia são mais em conta que no resto da Europa. Especialmente em Creta e na Kefalonia. Não tanto em Santorini e mesmo em Milos.

Kefalonia (5 noites)

De Milos partimos para Kefalonia, lugar menos conhecido no Brasil, que fica em outro grupo de ilhas mais distante de Creta e das Cyclades. Voamos até lá de SKY Airlines, aviãozinho pequeno.

Em relação a Zaquintos (que faz parte do mesmo grupo de ilhas e que tem uma praia super famosa que tem em sua areia o esqueleto de um navio e por isso se chama Navagio), fizemos a opção de conhecer de barco, passeio de um dia com saída do porto de Poros, na própria Kefalonia.

Zaquintos. Navagio Beach.

Mas, depois do trauma de Milos, confirmei que o mar estava calmo, pois é um passeio de um dia todo e que leva uma hora e meia para chegar na famosa praia. Gostamos muito! Depois passamos pelas Grutas Azuis, que achei ainda mais bonitas que a praia famosa, e tivemos um tempo grande para almoçar com calma no bonito porto de Zaquintos. Na volta teve outra parada para um mergulho em mar paradisíaco perto de Poros.

Navagio Beach de barco.

Detalhes deste passeio: reservei também pelo Civitatis, preço de 65 euros por pessoa. Confirmaram de véspera pelo WhatsApp, quando também chequei as condições do mar. Estava marcado para sair às 9 horas e chegamos 2 minutos atrasados. Quase perdemos o passeio, a âncora já estava sendo içada e fomos os últimos a entrar no barco. Cheguem antes do horário marcado.

Grutas Azuis. Zaquintos.

Ficamos hospedados em Argostolini , a capital, em uma praça linda, mas tenho dúvidas sobre o melhor local para se hospedar. Depois de conhecer toda ilha, acho que preferia um local menor, mais intimista, tipo Fiskardo.

Argostolini

A ilha é bem grande, é preciso organizar os dias por regiões. Aqui acho melhor usar carro mesmo, principalmente se quiser jantar nos vilarejos. Não se fixem nos quilômetros que separam os lugares, pois os trajetos podem levar muito mais tempo do que o previsto. E nunca, nunca peguem atalhos em ruelinhas ou off roads, guiados por aplicativos. Viram algum risco? Deem meia volta e façam o app recalcular por estradas usuais. Também tenham cuidado com a tecnologia, se marcarem localizações. Podem errar alguns metros e provocar a confusão do episódio Spyro 1, que vou contar ao final. Para já sentirem os dramas, no episódio Spyro 2, perdemos praticamente um dia de viagem, o que nos fez, para compensar, sermos os últimos a sair das praias que visitamos na Kefalonia no final outros dois dias que nos restaram por lá. Sempre éramos os que fechavam a porta do mar e desligavam a luz do sol.

Kefalonia. Praias incríveis.
Vouti Beach

Existem muitas dicas de praias fantásticas e desertas na ilha. Minha conclusão de casal de 56 anos (levem isso em consideração) e depois de ver quase todas, foi a mesma dos gregos: quero é sombra e água fresca, pois o mar é lindíssimo em qualquer praia deste país. Sendo assim, na minha humilde opinião, citando um exemplo da Kefalonia: a praia de Vouti é uma Myrthos reduzida, sem aquela visão do alto (espetacular por sinal, pare nos mirantes), mais rústica. Assim como não vale pipocar em outras da mesma enseada, como Kiriati. Percebendo isso, Fteri (totalmente deserta), foi abduzida do roteiro. Marido se recusou a pegar um barco (sai de Agia Kiriati) ou caminhar no meio do mato, pois tudo já estava maravilhoso e lá teríamos que sentar nas pedrinhas e complicar nossa vida com caminhos estranhos e barqueiros. E tive que concordar.

Das praias perto de Fiskardo, gostamos de conhecer as pequeninas Emblisi e Foki, sem infra, mas que tem paisagens bem diferente das outras praias. Uma tem pedras compridas amarelas, parecendo gigantes canjiquinhas de pedra São Tomé, e que são verdadeiros decks laterais.

Curtindo minha boia colorida em Emblisi.

A outra tem pinheiros em todo o redor da enseada e oliveiras no tereno da frente. Muito lindas e nestas praias vale uma sentadinha nas pedrinhas.

Foki Beach

Também gostamos de passear por Assos, tomar alguma coisa de frente para o portinho e arriscar um mergulho. Neste dia jantamos em Fiskardo.

Assos.
Jantar em Fiskardo.

Na região de Sami (o vilarejo em si não nos encantou) fomos duas vezes em Antisamos, uma praia linda, com ótima infraestrutura, onde o kit espreguiçadeiras/guarda-sol na beirinha do mar custava uma consumação de 20 euros. Como o chopp grande da cerveja local Mithos (muito boa por sinal) custava 4,5 euros, achamos um ótimo custo-benefício. Antisamos fica perto da Melissani Cave e tem também tem várias atrações aquáticas e um cais pequeno bonitinho.

Antisamos.
Kefalonia. Cada praia mais linda que a outra. Myrthos.

A Melissani Cave é mesmo uma linda obra da natureza. A dica de ir no meio do dia, para estar mais clara, é super válida. Fomos as 11 horas, mas penso que talvez as 12 ou 13 horas seja melhor. Você compra o ingresso no local.

Melissani Cave em torno das 11 horas.
Melissani Cave.

Jantamos um dia em Agia Efimia, no trajeto de volta para Argostolini, e foi o melhor jantar da viagem, em um restaurante familiar e simples. Comi um peixe empanado com lascas de amêndoas maravilhoso e marido um peixe com molho de trufas que parece ser um prato inconcebível mas que também estava dos deuses.

Sobre as comidas: são maravilhosas. Tempero delicioso e muitas opções típicas. Gostei de tudo! Em quase todos os restaurantes que fomos a sobremesa era gratuita. Na maioria serviam um doce mesmo, mas podia ser uma fruta ou mesmo um yogurt incrementado. O yogurts com limão parece um sorvete. Todas as vezes há um digestivo grátis também, a maior parte das vezes um copinho de Ozo (cachacinha local).

No último dia, além de repetir Antisamos (já tínhamos corrido muito na véspera para cumprir meu roteiro), fomos a Petani, também muito legal e com kit completo (já entenderam, né?!). Dizem que lá o por do sol é lindo mas preferimos jantar em Lixouri (que é bem sem gracinha e sem muitas opções para jantar) e voltamos de balsa. A balsa sai para Argostolini de meia em meia hora, depois das 21 horas, de hora em hora até as 23 horas (7 euros o carro com duas pessoas).

Petani.

Dicas gerais para praias: leve, ou compre lá, sapatilhas de neoprene. Não é frescura. Dá muito mais prazer transitar nas praias de pedrinhas (quase todas) com os pés protegidos. Dói muito caminhar sem elas, mesmo só até o mar. Ahhh e comprem uma boia…Nunca me arrependi. Muito gostoso flutuar neste mares lindos. Marido achou que vale a pena comprar olhos de mergulho também.

Enxoval: mochila com canga ou toalha, boia, sapatilhas de neoprene.

Fiquei também satisfeita com o tempo programado do meu roteiro para Kefalonia, que foi mais confuso nos últimos dois dias pelo D3 perdido. Se tivesse tudo dado certo seria mais ou menos assim: D1 região de Argostoli e jantar lá. D2 passeio de barco para Zaquintos. D3 para região de Sami, praias, com destaque para Antisamos, e Melissani Caves no meio do dia, com jantar em Agia Efimia. D4 para Assos e praias ao redor de Fiskardo, jantando lá. D5 Myrthos e/ou outras praias mais rústicas ao “gosto do freguês” e Petani de tarde (ficaria em Petani e jantaria ali com o pôr do sol, mesmo o restaurante local sendo bem simples, e não conheceria Lixouri). Mas tem várias formas de fazer e serão felizes de qualquer modo nesta ilha!

Petani Beach. Ótima para o pôr do sol.

Episódio Spyro 1: o episódio do sumiço do carro. Foi assim: estacionamos o carro à noite em uma das entradas da estação de ônibus. Marcamos a localização no maps bonitinho. Quando voltamos no dia seguinte, cadê o carro? O lugar estava cheio de cones e era proibido parar. Chama o cara da agência de aluguel de carros que em 5 minutos veio nos socorrer junto com o pai. Spyros era o nome dele, simpático, boa gente, o pai que estava com ele nos perguntou 20 vezes se realmente estacionamos ali, pois não identificaram nenhum reboque. E mostramos a tecnologia para ele. Sim, olhe o mapa, deixamos exatamente aqui. Então o carro foi roubado… e liga pra polícia, vai olhar as câmaras de monitoramento da estação de ônibus, todo mundo estressado, o senhor anda de um lado pro outro, aborrecido. De repente um ônibus sai da estação e marido vê que era improvável que tivesse realmente parado ali. Não cabia! Dá uma volta e acha o carro em outra entrada da estação. Aff… que mico… mas que alívio. A sabedoria da maturidade estava certa, não confie na tecnologia, sempre considere a hipótese principal, como é também em medicina. Eles devem ter nos xingado muito. Pedimos mil desculpas e corremos então para Balos, que era meu principal motivo de querer ir para Creta.

Episódio Spyro 2: tragédia automobilistica. Acho que tudo se deu porque o Google Maps alertou que havia um caminho mais rápido para a Melissani Cave eu aceitei mudar o trajeto. Fomos parar no alto em ruelas pequenas e erramos o trajeto. Marido foi fazer o retorno e ao dar marcha ré sem ter total visualização, despencou as duas rodas traseiras no muro de uma senhorinha. Aí apareceu Spyro 2, o vizinho da senhora (que só sabia se gritar para nós em grego). Resumindo tudo muito, ele e dois rapazes que passavam por ali, conseguiram fazer uma rampa para tirar o carro do local quase sem prejuízos, inclusive preservando a Petúnia que tinha surgido em uma fresta do solo e era uma das preocupações da senhorinha. Spyro nos levou para sua casa, queria nos dar lanche e refrescos. Uma graça. Ninguém aceitou dinheiro, nem para o reparo do muro. Uns fofos!! Só aceitaram uma foto. Saímos de lá com alma lavada, pensando em como temos ainda gente maravilhosa no mundo. Primeira graça da desgraça.

Simpatia e gentileza. E a Petúnia sobreviveu!

Mas nosso teste ainda não tinha acabado. E o maps nos colocou em outra enrascada. Deixamos a região da casa do Spyro 2 e fomos parar em uma estrada de terra, nos perdemos de novo e a “cereja do bolo” o pneu furou no meio do nada, sem Spyro 3 e com um dispositivo anti-furto que impossibilitava a troca do pneu. Resumindo muito de novo tivemos que andar com o pneu furado até pegar internet, aguardamos resgate por duas horas e desistimos e seguimos a pé, quando finalmente nos acharam. Exaustos, imundos e desidratados.

O pessoal da Bugdet que nos achou foi super solícito, nos deram água e suco, nos levaram para nos lavarmos em um banheiro público e nos entregaram na mesma hora um outro carro ainda melhor, com conselhos de esqueçam isso e se divirtam agora. Mas ao devolver o carro tivemos que pagar 350 euros para cobrir os prejuízos (reboque e pneu) mesmo tendo pagado seguro total. Justificativa: em linhas miúdas no contrato estava escrito que não poderíamos pegar nenhuma off road e o seguro total contratado não cobriria prejuízos fora das estradas convencionais, mesmo que estás off roads sejam apontadas como caminhos em aplicativos. Nossa justificativa: nos perdemos e se tivéssemos podido trocar o pneu nada teria ocorrido.

Meu marido tem o apelido de Ogro e não tem uma viagem que ele não perca a estribeira por problemas bobos. Mas ele vem trabalhando muito estas “ondas de raiva” e foi um maravilhoso teste para ele, no qual se saiu muito bem, sem perder a classe. E por mais louco que seja, por isso ficou muito feliz. Uma segunda graça em uma desgraça. Prejuízo final: somente financeiro. Nada que nosso trabalho não consiga pagar. Amém.

3 comentários

  1. Titiz, que viagem fantástica. Amo a Grécia, já estive 2x mas não conheço nem metade do que vc descreveu. Que sonho! Que riqueza de detalhes…
    Amei!
    Bjs
    LIA

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