Tive que ceder e conciliar nossas férias com o show de 40 anos de 40 anos do Metallica. Double pass (duas noites de show) em San Francisco, acontecimento único pra fãs. O doido, fanático pela banda, comprou os ingressos mesmo antes de termos certeza se poderíamos entrar nos EUA com nossa Coronavac.

Mas deu tudo certo e lá fomos nós, no final do outono, com os seguintes objetivos: redescobrir LA (não gostamos quando fomos com crianças como parte do roteiro Califórnia e Disneylândia), experimentar Vegas (tínhamos preconceito), voltar a Napa e Sonoma (amamos nossa primeira incursão por ali) e, é claro, finalizar com o show, revendo San Francisco, diversa e charmosa demais.


Na última vez que estivemos na California tínhamos feito de carro um roteiro paradisíaco pela Highway 1. Imperdível. E aconselho como a melhor experiência neste incrível estado americano. Começando em San Diego, com direito a paradinhas estratégicas em Santa Barbara, Carmel, Monterey e quem puder nas menos famosas, mas fofas, como Cambria e Solvang. Sigam até San Francisco e Napa Valley. Se puderem aluguem um carro conversível, coloquem um lenço no cabelo e se sintam artistas hollywoodianos 🙂






Gostamos muito de Los Angeles desta vez. Cidade linda, fez realmente diferença escolher melhor o bairro para ficar. Desta vez nos hospedamos em Beverly Hills, no Le Park Hotel (excelente, recomendo) e entendemos perfeitamente porque os famosos moram ali. Gostamos demais dos museus Getty (Getty Center e Getty Villa). O Center mais fantástico, um jardim belíssimo e uma coleção maravilhosa. Tudo muito organizado e, acreditem, grátis. O Villa é menos fantástico e vale combinar com o dia em Santa Monica, pois é muito pertinho.




Curtimos as bobagens, tipo ver de perto o letreiro de Hollywood e se deliciar observando as crianças quando a neve artificial caía dos prédios no final da noite no The Grove Mall, um shopping aberto bem bacana, ainda mais com a decoração de natal. Almoçamos antes no Farmer’s Market, que fica pertinho.

Em LA também reservamos um horário na imersão de Van Gogh que rolava em várias cidades americanas (mas preciso dizer não se compara aos originais franceses imersivos, como o Atelier de Lumières em Paris e o Carrières de Lumières em Les Baux de Provence, mas Van Gogh é sempre emocionante e é claro que valeu).


Em um domingo de sol vimos o pessoal do skate e dos patins dando show na Venice Beach e as casas nos canais de lá (Historic District – a Veneza californiana). No mesmo domingo de tarde fomos para Santa Monica que fica ao lado e “almojantamos” com o lindo por do sol de lá.







Los Angeles é lugar para alugar carro. Difícil organizar tudo com transporte público e muito tranquilo de andar e de explorar by car. Cheque se tem estacionamento no hotel ou próximo (invariavelmente pago – já coloque na conta de planejamento), pois nas ruas é difícil encontrar uma vaga legal.
De LA seguimos para Vegas de avião, para ficarmos três noites. Vôo rapidinho. Optamos por avião, pois de Vegas para Napa, nosso próximo destino, era uma viagem muito longa. Mas, pelo que pesquisei, de LA para Vegas de carro são cerca de 4 horas em uma estrada tranquila. Nos hospedamos no Cosmopolitan. Muito bom.
Nós tínhamos um preconceito meio bobo com a cidade da diversão. Mas desta vez fomos preparados para uma dose boa de cafonice e entramos no clima. Nos divertimos bastante. A cidade é muito bizarra. Tudo que o homem já vez de fantástico está ali, em algum lugar, especialmente na principal rua, a Strip. Tipo um Epcot Center gigante para adultos. Subitamente você se depara com a Torre Eiffel, com uma “London Eye”, com a Fontaine de Trevi, o Coliseu, a Estátua da Liberdade, o Moulin Rouge e muito mais. E muitos hotéis são temáticos, tipo Tresure Island, Flamingos, Excalibur.






Amei a Veneza artificial com seu céu azul pintado no teto do shopping e as gôndolas em ação. E as erupções vulcânicas subitamente quando se caminha tranquilamente pela rua, voltando para seu hotel. Tem até tentativa de imitação das coisas da natureza, tipo o Lago de Como em frente ao lindo Bellagio, para dar sentido ao nome do hotel. Neste lago acontecem show de águas e música de tempos em tempos, e é impossível não parar e dar uma décima olhadinha toda vez que recomeça.


Os shows do Circo de Soleil, eternamente por lá, são fantásticos. Assistimos Love (uma homenagem aos Beatles), que é tão surpreendente que fico com pena de dar spoiler. E também ao Mistery, que escolhemos despretensiosamente para substituir o Santana, previamente reservado, que foi suspenso em cima da hora. Ótima substituição. Muito bacana.

Outra atração de Vegas são os restaurantes de famosos com preços “menos inacessíveis”. Mais lembrem-se que o que é um “mais acessível” em dólares. Não converta e separe uma grana para estes espetáculos gustativos. Escolhemos o Nobu, pois marido nunca tinha experimentado o melhor japonês do mundo, o Gordon Ramsey para provar o autêntico bife de Wellington, e o Wing Lei para se fartar no menu de Pato de Pequim. Eu amo pato!



O que não valeu em Vegas: o tal parque de containers. Não entendi esta indicação de vários blogs e posts. Longe pra caramba, um espaço pequenininho e sem graça, zero necessidade de conhecer. Não tenho nem foto pra mostrar.
De Vegas pegamos novo vôo curtinho pra San Francisco, depois um carro no aeroporto e bora pra Napa Valley.

Apaixonantes: Sonoma e Napa Valley, mesmo quase no inverno.
Para quem gosta de vinhos e paisagens campeastes não tem erro. Boa culinária rola ali também. Pegamos uns dias chuvosos, mas o clima criado pelas degustação de vinhos na frente de lindas lareiras nos ajudaram a nos conformar.

Ficamos no Senza, pertinho de Yountville. Bem localizado, bonitinho, café ótimo, mas com atendentes muito pouco amistosos e lareira fake (ahhh gente… fiquei revoltada…era uma projeção de imagem de lareira… com som de madeira estalando e tudo, mas sem calor… uma enganação). E o pior foi que tivemos problemas com a temperatura da água. Ou seja, avaliem outro.
Fomos a duas ou três vinícolas por dia. Dividimos os tasting sempre que podíamos para não abusar do álcool. Os vinhos são maravilhosos e os lugares também. É preciso agendar, mas com sorte podem conseguir alguma vaga chegando sem avisar.

Agendamos na Mondavi (o básico), na BR Cohn (o maravilhoso vinho do ex. manager da Banda Doobie Brothers), na Coppola (ambiente com objetos dos filmes do cineasta que são um espetáculo à parte), na Stag’s Leap (a vinícola do filme “O julgamento de Paris”), na Castelo di Amorosa (a mais linda, imitando os castelos italianos) e na Opus One (como o nome sugere, a da opulência, conhecida como o fabricante do melhor vinho californiano, mas sujeito a controvérsias).

Demos sorte e conseguimos fazer uma degustação sem marcar hora na Ledson (linda mansão inglesa) e fizemos comprinhas na V. Sattui – comidinhas e vinho para beliscar no hotel na primeira noite, quando mortos de cansaço. Lá não conseguimos degustação sem marcar.
Melhor fazer um mapinha para agendar as vinícolas que ficam perto uma das outras no mesmo dia e não ficar fazendo zigzags entre os municípios. Sonoma não é muito perto de Napa, mas não dá nem pra sentir a estrada de tão linda que é a paisagem.













Na Opus One tem história pra contar! Seguimos, sem querer, uma cicerone que conduzia um grupo que comemorava um noivado. Estávamos aguardando na recepção e achamos que era nossa vez de entrar, provavelmente não ouvimos algo que ela explicou. Simplesmente acompanhamos um grupo que também aguardava e que me causou estranheza, pois todos estavam muito bem vestidos. Pensei somente que tinha errado no modelito escolhido e que não devia ter ido de jeans…E fomos em frente, nos mantendo mais atrás do grupo, deslumbrados com o terraço enfeitado para o natal e com uma vista maravilhosa para a vinícolas. Estava igual a um “pinto no lixo”, mas ao distribuírem taças de champanhe perceberam que faltavam dois copos. A cicerone anunciou – “probably someone is not supposed to be here…” Ihhh…
Gente… eu estava em outra dimensão fotografando. Só ouvi um burburinho. Mas meu marido, menos viajandão, entendeu e se acusou. Todos os olhares se voltaram para nós, os intrusos. Mortos de vergonha fomos escoltados de volta para nosso cantinho da degustação mais simples, perto de uma deslumbrante lareira, totalmente personalizado com nosso bilhete de boas-vindas. Mas abandonamos o grupo sob protestos do noivo gentilíssimo que queria nos acolher na festa a todo custo. Uma simpatia! Valeram ótimas gargalhadas e duas taças de champagne que não nos deixaram devolver.
Cada winery tem sua história, seu estilo. São experiências únicas. Não pensem que ficarão entediados com a programação.
Última parada: San Franscisco!
Em SF repetimos o hotel Zephyr, super bem localizado, em Fisherman’s Wharf. Tem uma área externa bacana e decoração moderninha, com tema de mar. Mas, provavelmente pela crise turística provocada pela COVID-19, não está mais tão bem preservado. Nada que comprometa a estada, mas que chama a atenção dos detalhistas.
Em SF não é preciso carro e deixamos na agência da locadora bem pertinho do hotel. O transporte público é bom, muitas coisas é possível fazer a pé, e usamos o Uber algumas vezes, sem problemas, inclusive para voltar do show.
Pontos altos de SF que repetimos: a Ghirardelli Square (lugar delicioso especialmente para comer chocolate ou tomar aquele sorvete maravilhoso), a Boudin (padaria famosa por sua sopa de mariscos no pão), passear a pé (ou de bicicleta) até perto da Golden Gate, explorar a região do Fisherman Warf e do Píer 39 (indo até o Ferrying Building, se tiver disposição ou estiver de bicicleta), apreciar as casas vitorianas (Painted Ladies) da Álamo Square (sente-se um pouquinho naquele gramado em frente as casas e deixe o tempo passar sem presa), e flanar (como muito bem definiu o Ricardo Freire, pois significa andar ociosamente) pelos bairros Castro (o gay), Haight & Ashbury (o hippie) e Mission (o descolado). Também repetimos o parque Golden Gate e seu jardim japonês, que é muito lindo.





Uns detalhes. No Píer 39 tem uma loja só pra canhotos, bem legal, e uma outra só de enfeites de natal – amo. No bairro hippie tem a casa onde morou Jimmy Hendrix e muitos brechós para quem gosta. No Mission você encontra muitas lojinhas diferentes e muitos restaurantes (comemos muito bem no peruano Limon). Outro bairro com excelentes restaurantes, principalmente italianos, é o North Beach (o bondinho passa bem perto).

Também foi impossível resistir a uma volta de bondinho. E a coisa mais legal destes passeios são os condutores, suas características, a forma diferente de cada um tratar os passageiros. Ou seja, cada passeio é uma diversão. Desta vez, além do condutor, tinha um turista muito animado, que cumprimentava todos ao seu alcance, no bonde ou na rua. Incrível como ninguém resiste a um aceno simpático e retribui. Quando elogiamos sua animação, ele declarou que a vida era muito curta para não aproveitar cada momento com alegria. Fica aqui a lição.
Os ingressos do bondinhos são comprados nos pontos finais este meio de transporte é uma boa forma para ir do nível dos piers (ponto final perto da Ghirardelli Square) até downtown e vice versa (muitas ladeiras separam as duas regiões).
Desta vez fomos a Alcatraz e, fora o frio congelante, eu curti. Não é aterrorizante, como imaginei. Muita história, interessante. Tinha uma questão bem política que eu desconhecia e teve um final que se pode chamar de “feliz”. Recomendo visitar, se estiver por lá.
O que não repetimos, que é bem bacana mas tem que ter disposição e um dia inteiro dedicado, foi ir até Sausalito pedalando e voltar de barco com a bike. É bem legal atravessar a Golden de bicicleta.

E o show? Ahh foi fantástico. Aprendi a gostar das músicas de tanto ouvir, mas os shows do Metallica não são só música, Tem uma sequência ritualística emocionante, tem a paixão daquela galera pela banda, tem as luzes e as imagens fantásticas. Ou seja: é um SHOW! Desta vez teve até pulseirinha que piscava ao ritmo da música. Foi realmente um presente merecido para um fã tão dedicado como meu marido. Fiquei feliz de ter topado a aventura. Viagem fechada com chaves de ouro.




Em relação à COVID-19:
Se informem bastante antes de ir. Diversos locais só permitiam a entrada com comprovantes de vacinação, incluindo restaurantes. A maioria aceitava uma foto no celular, mas conferiam com a identidade. Andem sempre com os comprovantes e cópias dos documentos. Para voos internacionais, exames antes de embarcar são exigidos. Tanto na ida quanto na volta. Passamos aperto na volta, pois não nos atentamos para os exames e só descobrimos ao tentar fazer o check-in online na noite de um domingo, quando tudo estava fechado. Fomos salvos por um motorista de táxi “santo”, que topou enfrentar um drive thru conosco para fazermos o exame urgente de antígeno (aceito até 4 horas antes do embarque) que descobrimos pela internet. Ficava em um contêiner em um estacionamento perto do aeroporto de SF, que prometia entregar o resultado por e-mail em 1 hora. Recebemos 15 minutos antes do embarque… ufffa… Viajar na época de COVID-19 é para os muito fanáticos por viagens que topam alguns perrengues.

Em relação aos custos:
Hoje em dia é preciso planejar bem os gastos de uma viagem para os EUA, para realmente relaxar. Para mim as vivências de viagens são a melhor forma de gastar o dinheiro de um ano duro de trabalho. Mas confesso que desta vez foi difícil não converter mentalmente os gastos de cada cafezinho.
Sabíamos que aquela programação de umas comprinhas já há tempos não valia mais a pena, pois pouca coisa é mais barata que no Brasil, com a desvantagem de ter que pagar a vista. Mas sendo um país muito consumista, as tentações estão em todos os lugares. A melhor coisa é pesquisar rapidinho no celular e não comprar por impulso. No fim não resistimos aos vinhos e cedemos em poucas oportunidades, especialmente em outlets pelo caminho.

Já sou fã das viagens da Ana . Leio todas !!! Viajo junto com eles e é maravilhoso para ajudar a programação da sua própria viagem
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