De Barra Grande fomos de carro para Parnaíba. Viagem curtinha, entramos na cidade e paramos em um bairro estranho, de frente para um muro grande esquisito. O motorista sentenciou: a pousada Vila Parnaíba é aqui. Eita…tem certeza? Não consegui não expressar o susto e levei uma bronca do marido. Mas, de verdade, não era tão ruim, entrando a gente se surpreendeu, tinha um jardim bonito e piscina. Só era meio cafoninha (viajante patricinha gosta de decoração e estilo) e o quarto tinha um pouco de cheiro de mofo. Atendimento simpático e eficiente. Para uma noite deu muito certo.

Logo após a chegada fomos ver o rio Parnaíba e assistir o voo dos Guarás. Espetáculo da natureza imperdível. O passeio também já estava programado pela EcoAdventure. Seguimos de van com outros turistas e paramos em um portinho há cerca de 40 minutos da pousada. Raimundo foi nosso piloto da lanchinha que percorreu o rio. Nos descreveu a vegetação típica, parou para vermos os macacos pregos e também para passearmos em um pedacinho de dunas beirando o riozão e dar um mergulho na água meio doce, meio salgada. Nos explicou que existem muito poucos deltas no mundo. E que este é composto por 5 afluentes do Rio Parnaíba que aqui deságuam no mar.

No final da tarde seguimos para a frente de uma pequena ilha, demarcada em toda sua volta com uma corda, para evitar aproximação indevida por barcos ou pessoas. Desde de sempre, ao pôr do sol, os pássaros Guarás, vermelhinhos por conta da alimentação rica em caranguejos desta cor, pousam nesta ilha para passar a noite.

Durante uns 20 minutos o céu fica lotado de grandes laços de fita vermelhos, voando para lá e para cá. E, em algum momento, uma primeira ave decide pousar na ilha. Foi dado o sinal: todas outras seguem para o pouso e descanso noturno. A ilha fica toda vermelha e barulhenta. Indescritível e “infotografável”. Daquelas coisas que só assistindo. Fizemos um filminho, mas é só uma ideia deste fenômeno surpreendente da nossa doida natureza que acontece todos os dias exatamente as 17:40. E ficaram perguntas não respondidas: Por que escolheram esta ilha? Quem é o pássaro que pousa primeiro? 🤔
No dia seguinte um motorista nos levou para o Porto de Caburé, onde pegamos uma lancha para Atins. No caminho atravessamos uma enorme fazenda éolica que beira os Pequenos Lençóis.
Muito interessante. Cada ventilador gigante daquele tem um elevador que leva os funcionários até o topo, para ajuste e reparos. Já são 500 torres, com previsão para mais 500. O vento incessante é perfeito para a proposta. O motorista nos conta que a fazenda trouxe muito desenvolvimento para a região.

O dito Porto de Caburé era uma praia no meio do nada com alguns barcos ancorados. Também tem uma pousada/restaurante com o mesmo nome, com 10 bangalôs pra lá de rústicos, com rede na varanda. A gerente do local era a gentileza em pessoa e nos conta que a luz ali é só com gerador. Comemos casquinhas de caranguejo deliciosas com Heineken geladinha (aqui um comentário: Heineken é a cerveja absoluta na Rota, o que não me pareceu comum, mas me agradou muito pois é minha cerveja predileta) e seguimos de lanchinha pequena para Atins.



Atins é um encanto. Uma micro vila de pescadores no deságüe do rio Preguiça no mar. Com a maré baixa se formam bancos de areia, e é uma delícia caminhar naquele espação e descansar na água rasa. Tem um famoso camarão da Luiza que não tivemos oportunidade de experimentar e um pôr do sol muito lindo, com muitas pipas de kitesurfe pelos ares.


Mesmo no meio do nada a pousada Vila Aty que ficamos era muito fofinha, serviço ótimo e café da manhã e jantarzinho honestos. Dali daria para fazer alguns dos passeios para os lençóis que fizemos via Barreirinhas.



Os burrinhos na Rota são selvagens e criados soltos, comendo o que encontram. A maioria foge ao contato humano, mas depois de muitas tentativas encontrei um amigo.

Ficamos em Atins somente uma noite. Seguimos no dia seguinte para Barreirinhas de barco, parando no caminho nos Pequenos Lençóis.



Se tivesse que reescrever meu roteiro ficaria mais em Atins e somente um dia em Barreirinhas, especialmente para fazer o voo panorâmico. Achei a pior das três bases. Cidade feia, passeios distantes. O melhor hotel é um resort meio “over” (se é que me entendem…) e não gosto do clima deste tipo de hospedagem.

Destaque positivo: a melhor carta de vinhos de toda viagem (viajante patricinha também gosta de vinho) e com preços muitos bons. Coisa engraçada: nestes cantos do nordeste o vinho, mesmo tinto, sempre vem muito gelado. Nos ofereceram até balde de gelo. O que gostei também: andar de caiaque no Rio Preguiça (fica na frente) e a linda capelinha com pinturas do céu e as dunas.



Mas não posso negar é que foi em Barreinhas que tivemos a nossa primeira visão da imensidão dos Lençóis Maranhenses. Foi um passeio “punk”, daqueles para se fazer só uma vez na vida, chamado Lagoa Bonita. Depois de 40 minutos para atravessar o rio Preguiça de balsa e 50 minutos sacolejando em uma picape 4×4, (sacolejando mesmo!), chegamos em um paredão de mata e areia, com uma imensa escada (nos contaram que até 4 meses atrás era somente uma corda para facilitar a subida).


Subimos tudo aquilo ainda nauseados da viagem e demos de cara com uma miragem. Nosso guia fala que gostaria de filmar a expressão dos turistas assim que terminam a escada. Aquilo é realmente muito lindo!



No dia seguinte fomos voar de tardinha. Tinha escondido a reserva do marido que deu um chilique e queria abortar a missão. Acabei convencendo e lá fomos nós entender aquele mundo de dunas e como somos pequenininhos. O piloto era um senhor com uma postura tão confiável que o marido quase relaxou. Dica: fiquem do lado oposto do piloto. A vista é muito mais bonita.

De Barreirinhas seguimos de carro para Santo Amaro, nossa última base. Cidade pequena, parque nacional ao lado, trajeto tranquilo e o restaurante Dunas Bistro imperdível (não deixem de comer de sobremesa a cocada de forno com sorvete de tapioca).


Fizemos dois passeios, Lagoa da Gaivota e Betânia (este de um dia inteiro, com direito a almoço “raiz”). Ficamos maravilhados.
Nosso motorista parava em lagoas maravilhosas, escolhidas a dedo, colocava cadeirinhas, barraca e água gelada ao nosso alcance, e esperava a nossa curtição. E no final do dia aquele pôr do sol maravilhoso em uma duna bem alta e isolada (só nossa!).







O almoço do passeio Betânia foi um capítulo à parte. No mangue, com prato pré escolhido de galinha caipira que não decepcionou e porcos de estimação passeando no quintal. Também cervejinha Heineken muito gelada e com direito a descanso na rede no final.

No dia seguinte voltamos para o Rio via São Luiz. Três horas até o aeroporto, foi tranquilo. Missão de relaxamento cumprida. Mais um pontinho marcado no nosso mapa de viagens deste “me leva Brasil” da pandemia.

Comadre que delicia de viagem!
Enviado do meu iPad
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Ana como sempre fiquei maravilhada com suas descrições desses lugares paradisíacos. Não sei se eu me aventuraria tanto. Mas pelas fotos podemos ter idéia da sensação que vcs tiveram ao verem tais paisagens! Sei que não é sua idéia dar dicas de viagens propriamente mas seria legal se vc relatasse os custos dos passeios e hospedagens. Sou bastante prática com relação aos custos ficarem explícitos para evitar surpresas e gastos não contabilizados.
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Ana vc sempre arrasa e nos conduz a cada pedacinho da sua viagem . Tenho vontade de ir atrás de cada local por onde passa . Um dom de passar pela escrita admirável . Mais uma vez parabéns .
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