Trinta anos de casados não é pra qualquer um. Já tinha feito planos de uma festa bacana, com toda decoração no tema “pérolas”, ia ficar lindo. Mas como todos fui surpreendida por mais de um ano de “aglomerar não é uma boa”, e respeitando o que acredito, optamos pela opção número dois: viajar só nós dois, como também amamos fazer.
Olha daqui, olha dali, querendo algo para uns dez dias pelo menos, vi um roteiro chamado “Rota da Emoções”. O nome era perfeito para um niver de casamento. Depois descobri que era um roteiro pra lá de conhecido. Trata-se de começar, ou terminar a viagem, no Ceará e passar por outros dois estados: Maranhão e Piauí. Um roteiro de dunas, praias e lagoas, incluindo os Lençóis Maranhenses. Preferi começar por Jericoacoara, lugar que sempre quis conhecer mas sempre adiava por conta das 4 horas de carro chegando por Fortaleza. Agora Jeri tem aeroporto e voo direto pela Azul. A volta por São Luiz tem um “perrenguinho” de carro que aceitei enfrentar.
Pra facilitar a vida, vi uma agência que organizava os transfers, passeios e reservas de pousadas. Como sempre faço usei a estratégia de encontrar um especialista no roteiro pretendido e usei a EcoAdventure Tour (https://ecoadventure.tur.br/). Tratei tudo por WhatsApp. Não tive nenhum problema. Tudo corretíssimo. Pontualidade, expectativas. E me deram a excelente dica de incluir Barra Grande no roteiro.

Etapa 1: “Jeri” para os íntimos…
Jeri estava muito bem organizada em relação aos cuidados da pandemia, mas muito cheia. Confesso que me deu um pouco de aflição, mesmo com nós dois vacinados. O lugarejo tem muitas opções de restaurantes, pousadas, lojinhas. As ruas são de areia, carros de passeio ficam em um estacionamento na entrada da cidadezinha. Por ali só circulam pessoas, quadriciclos, bugres e caminhonetes 4×4 de passeios, além de algumas bicicletas de pneus largos. A enseada principal da praia é a referência, depois uma rua principal e a rua do forró, o resto são ruelinhas. Ficamos em duas pousadas nas 5 noites por lá, nos dois extremos desta enseada: primeiro na Jeribá e a depois na Vila Kalango. Não foi uma opção variar de pousada, mas sim ausência de disponibilidade para ficar somente em uma das duas (que pareciam as melhores do local) durante todo período. Como tudo tem um lado bom, no final gostei de ter duas experiências.

A pousada Jeribá fica em um lugar muito especial da praia, vista linda do café da manhã e das espreguiçadeiras, serviço de primeira. Não era necessário se mover para ver o mais lindo pôr do sol. A Vila Kalango era maior, extremamente charmosa e com decoração rústica lindíssima. A piscina é mais gostosa, mas a vista do mar não é tão linda e o café da manhã não é tão bacana. Também o serviço do bar e restaurante nos decepcionou. Tudo um pouco menos intimista e este é o ponto forte da Jeribá.




Fizemos assim: dia 1 já chegamos de tarde é só demos um mergulho e fizemos reconhecimento local. Dei de cara com um shiatsu no meio da rua principal, com direito a quiropraxia, e não resisti tamanha era minha tensão e dor nas costas. Sai relaxada e zerada. Valeu muito. Jantamos no Tamarindo, bem gostosinho.

Dia 2 café da manhã lento e caminhada longa pela praia até a Pedra Furada. Levamos umas 4 horas ida e volta, parando, mergulhando, olhando peixinhos e bichinhos do mar nas piscinas criadas pelas pedras e maré baixa (para dar certo esta caminhada é preciso se certificar na pousada sobre a tábua das marés). Depois foi só moleza nas espreguiçadeiras da pousada e por do sol com vinho branco. Vida dura….
Jantamos no “Na Casa Dela” (lugar encantador, mas a comida não nos surpreendeu). Para sobremesa descobrimos o sorvete do Jeri Mescla, pois a fila era enorme e chamava atenção. Lá os sabores de sorvete são misturado em uma tábua como uma massa e diversos complementos podem ser adicionados como biscoitos tipo Oreo e pastilhas de chocolate. Maravilhoso. Escolhi uma mescla de banana e chocolate amargo. Valeu a espera!



Dia 3 fizemos o passeio para o lado oeste, privativo, de bugre, tratado na pousada. Descemos dunas gigantes, brincamos de tirolesa e escorrega, tiramos fotos no mangue seco customizado para turistas, vimos cavalos marinhos no mangue molhado que atravessamos de balsa, almoçamos em uma das lagoas (Tatajuba) com direito ao “cardápio vivo” e cervejinha gelada. Na volta pela praia tiramos lindas fotos. De noite era dia dos namorados e jantamos bem, a luz de velas, na pousada mesmo.








No dia 4 o tempo estava meio feioso e eu aporrinhei o marido para andar de bike na praia. Alugamos em uma lojinha na cidade. A ida foi tranquila e prazeirosa. Só não notei que o vento estava me empurrando. Ainda bem que não fomos tão longe. Quase morri para voltar. Pedalava alguns minutos e me esgoelava. Maridão teve que me puxar e jurou que as bicicletas estavam vetadas todo resto da viagem. Mereci o veto.

No último dia seguimos para aventuras no lado leste. Passeio já tratado pela EcoAdventure. Também de bugre. Abortamos a Pedra Furada (tínhamos ido a pé, mas faz parte deste roteiro), vimos a gigante árvore da preguiça formada pelo vento incansável e passamos pela praia da Prea, reduto de kitesurfistas.
O primeiro mergulho do passeio foi em um dos buracos azuis, o mais novo, que mais parece um parque aquático. Conhecem esta atração de Jeri? Foi assim: alguém escavou um enorme e profundo retângulo de terra para usar a argila local em uma grande obra de estradas. Vieram as chuvas de 2019 e para surpresa de todos, a água coletada ali, por conta de características do solo, é de um azul turquesa profundo. E virou piscinão e atração local.
De verdade é bem estranho, parece que a água tem anilina. O novo buraco azul, na mesma região, foi planejado, com decoração, duchas, escorregas para crianças, barzinho. Demos uns mergulhos, mas não nos animamos a ficar muito tempo. Muito artificial.



O segundo ponto de mergulhos é já nas lagoas da região. Fizemos algumas paradas nas margens da Lagoa Azul e seguimos para a Lagoa do Paraíso, onde fica o Alchemist Beach Club (que de “beach” não tem nada, já que a água é doce), o point mais famoso deste lado de Jeri. Legalzinho, relaxante, mas bem clube mesmo. Você já paga para entrar e ainda assim se quiser um pouco mais de sossego tem que pagar de novo: ou vai para uma parte muito privê na lateral do clube (super caro) ou fica em um deque flutuante, com espreguiçadeiras também alugadas (ficamos nestas, mais em conta), ainda longe da muvuca. Na muvuca (e free) ficam mesinhas dentro e fora da água.




Ficamos algumas horas no club, tomamos um vinhozinho, demos muitos mergulhos e seguimos pelas dunas, voltando lentamente pra Jeri, com direito a muitas paradas. Esta volta é linda, lagoas e dunas estonteantes.


Mais um por do sol maravilhoso, sentados na toalha na praia (em nenhum momento animamos subir nas dunas) e fechamos Jeri, seguindo no dia seguinte pela orla, de caminhonete 4×4, para o litoral do Piauí, pequenos 66 km, onde fica o paraíso de Barra Grande.
Jeri é muito mais lagoas, água doce é a diversão. Barra Grande é mar. Kitesurfistas para todos os lados. Praia longa de águas cristalinas. Por do sol maravilhoso. Sossego total. Restaurantes fofinhos pra jantar.




Ficamos na Pousada BGK, bangalôs deliciosos. De frente para o mar. Já o serviço era do tipo “tudo não”. Nada pode: na tapioca de queijo pode colocar orégano e tomate? Não. Pode me servir água de coco no café da manhã? Não. Pode levar cervejinha no quarto? Não. Bom dia? Não. 😂😂😂

Tentamos jantar no Mô, famoso, e que seria perfeito para o dia do nosso niver de casório, já que nos apelidamos assim. Mas só tinha mesa na rua e faltava metade do que estava no cardápio. Seguimos para o La Cozinha. Muito bom. Comemoramos bem! Queria ter ficado mais dias em Barra Grande.
Dia seguinte a aventura continuou para Parnaíba. O programa era passear no Delta do rio Parnaíba e ver a revoada dos Guarás. No próximo post eu conto. Junto com os lençóis.
Miga aguardando viajar para lençóis!!! Estou adorando!
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