O caminho do meio e a música da alma.

Pode parecer um jargão, mas a maioria das pessoas que chega a meia idade, realmente se revê. Não há mais tempo pra se perder e só há uma vida pra se viver. Não é que você vá chutar o balde e começar a ser irresponsável. Mas, após os 50, quase todos os dias penso sobre como de fato quero viver. Nessa fase passei a escolher melhor os amigos e determinar com menos culpa minhas obrigações com a família. Tenho mudado minhas prioridades e acrescentado outros interesses. Pode ser que também aconteça com você. Um novo esporte, uma dança, uma vocação, outra profissão. Quem sabe? Penso agora que uma vida mais múltipla pode ser mais divertida.

Nesse “caminho do meio”, também percebo que as trocas passam a ter muito mais valor que as admirações. Na maturidade, vejo que de fato não precisamos mais de espelhos, mas nos mantemos gostando de inspirações. Principalmente das inspirações que vem daquilo que nunca foi vivido ou percebido por nós. Enfim, já entendemos que não vai dar tempo de se viver tudo e as experiências dos outros passam a compor uma parte da música da nossa alma. Nossa partitura, inicialmente única e exclusiva, pode ser acrescida dos tons e das notas de outras vivências, pois passamos a permitir essa intromissão na nossa essência com certo prazer, não mais com temor e não mais superficialmente, como um filme que se esquece, mas com uma empatia e emoção que realmente nos marca e nos modifica.

Eu gosto de contar histórias. Escrever faz a minha vida mais divertida e decidi que acrescentaria esse prazer em meu caminho, escrevendo aqui e onde mais aparecer. Quero contar muitas histórias para vocês e dividir minhas experiências. Que estas histórias sejam uma pequenina parte da melodia da minha vida que ofereço para a sua. Vem comigo.